quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Carta aberta ao Dr. Theotonio dos Santos

Publiquei esta resposta no blog do Dr, Theotonio comentando uma carta aberta que ele mandou ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso

Dr. Theotonio,

Antes de qualquer coisa, quero pedir desculpas caso se sinta ofendido pelos meus comentários. Afinal, o Sr. é 22 anos mais velho que eu. Não é essa a minha intenção.

Recebi uma cópia da sua carta aberta a Fernando Henrique de uma pessoa que prezo muito, com a recomendação que eu lesse todo o artigo com muita atenção, coisa que o fiz, mas poderia não ter feito, pois não precisava chegar até o final para ver o quão errado estava o texto, da mesma forma que numa refeição não preciso ir até o fim para descobrir que a comida está estragada.

Logo no início, a sua análise sobre o Plano Real, para alguém com tantos títulos, beira a ingenuidade. Ou isso, ou quer fazer pouco da inteligência dos leitores.

De 1980 a 1993, o Brasil teve quatro moedas, cinco congelamentos de preços, nove planos de estabilização, onze índices para medir a inflação, 16 políticas salariais diferentes, 21 propostas de pagamento da dívida externa e 54 mudanças na política de preços. Em 1986, durante o governo de José Sarney, foi lançado o Plano Cruzado, que tirou três zeros da moeda corrente até então (o cruzeiro) e deu-lhe o nome de cruzado. Além disso, houve o congelamento de preços e salários e o estabelecimento do gatilho salarial - os rendimentos eram disparados cada vez que a inflação atingia 20%, e neste período houve o plano Collor, com seu tiro certeiro de nos deixar com Cz$ 50,00. Vale ressaltar que ambos os responsáveis são agora admiradores de Dilma.

Dizer que foi obra de uma conspiração do universo e que qualquer um teria feito é renegar um trabalho bem feito. Por que os nossos irmãos argentinos não fizeram?

Outro ponto que me chamou à atenção foi uma certa mágoa em relação a FHC. Acredito que haja algum assunto mal resolvido dos anos 60. Estou errado?

Sem esquecer que, em uma carta aberta, uma pessoa com tantos títulos deveria ter um pouco de preocupação com a língua pátria. Atribui isso ao fato do Sr. estar acostumado a escrever em espanhol, já que é admirador de Chávez.

Outro ponto de preocupação que tive ao ler os comentários feitos em se blog foram algumas frases curtas de concordância se referindo ao Sr. como Professor. Admitindo que foram seus alunos, imagino que não estudaram a história do país.

Quando lecionava na faculdade, sempre procurei criar uma consciência crítica nos meus alunos, tanto os que concordavam quanto os que não concordavam com as minhas ideias. Este, ao meu ver, é um dos papéis da Academia.

Por falar em Academia, outra pessoa que prezo muito a definiu como uma Fogueira de Vaidades. Pelo teor do seu artigo só tenho a concordar com ele.

De público, quero também fazer um mea-culpa e confessar a minha total ignorância. Vou plagiar um personagem de Chico Anísio, Alberto Roberto quando dizia, o Sr é o FAMOSO QUEM?

Por favor não faça pouco caso da inteligência dos outros

Boa sorte

Cesar

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